:::: MENU ::::
  • As respostas para perguntas que poucos fazem.

  • Conteúdo de qualidade, gratuito e legal.

  • Discussões saudáveis. Um espaço para sua opinião.

1/24/2016



"Somos tão pequenos que a morte consegue levar a nossa alegria."


Paulo Azevedo, o não-escritor, fisioterapeuta, especialista em fisioterapia e pós-graduado em fisioterapia neurofuncional, mestre em Ciência da Motricidade Humana com formação em Filosofia à maneira clássica (ufa!) traz uma supresa. No fio da vida, sua primeira obra, é a celebração de uma linha tênue, separadora das diferenças mais gritantes, criadora das dualidades e dicotomias mais comuns e mais absurdas. A obra é simples, mas profunda, cativante, mas singular. Um ótimo livro para leitores iniciantes, uma ótima proposta para veteranos. Da filosofia à literatura, o enredo é um eterno equilibrista.





* Este texto NÃO contém spoilers *


Como dito, No fio da vida pode não ser a melhor obra para os amantes de textos complexos, mas a sua elegância é inquestionável  O livro conta a história de José, um homem nascido no subúrbio do Rio de Janeiro, em uma família complicadíssima. Uma pessoa de pouco destaque  na multidão, estudante de escola pública e detentor de um potencial inexplorado. O texto se resume, em muitos momentos, a aforismos; condensa-se a um nível onde uma leitura rápida se torna confortável, embora uma lenta revele, sim, a complexidade de todas as paráfrases. No fim do livro encontram-se listados 54 "formadores de opinião", de Kant a Paulo Coelho (entre eles, Nietzsche... o responsável pela escrita limpa?).

Paulo Azevedo constrói personagens alegóricos: o professor que ajuda José, o faxineiro filósofo, o próprio José... Embute nesses personagens aforismos que os deixam mais ricos e os faz, na história, intervir no futuro de José. O livro é orgânico e humano, com um final que tem sim a capacidade de surpreender os leitores - logo depois de cativá-los. A história de tons realísticos é esperançosa, mas repleta de desvios, recorre muito pouco à ambiguidade e é, literalmente, direta... Como o fio da navalha vida.

Os personagens alegóricos são, também, diretos. A psicologia construída não é ambígua, mas cada passo parece ser construído ou por um erro, ou por uma interpretação de uma filosofia em específico. É uma filosofia recortada e unida que parece guiar a história, clássica e atual, a história é o exemplo de como ainda se pode fazer, hoje em dia, histórias boas e de clima próprio.

O livro, no entanto, não é só filosofia. No fio da vida é um romance que levanta questões sobre a vida e a morte, o amor e o ódio, mas também sobre a meritocracia, sobre as chances que são realmente dadas, sobre o ensino de escola pública, sobre o preconceito, sobre os piores dramas familiares, dentre outros dilemas essencialmete contemporâneos.


Sobre a edição


A edição da Fólio Digital é de boa qualidade, mas frágil. As quinas podem se estragar com facilidade, pois o mínimo arranhão pode soltar a fina película que recobre a capa. Pessoalmente, optei por plastificá-lo. As orelhas protegem bem o livro e a qualidade do papel é muito boa e possui baixo reflexo, a tipologia também é bastante agradável (Charis SIL).


Onde comprar?

O livro pode ser encontrado em muitas lojas, mas foi publicado pela Fólio Digital e é exatamente a ela que eu recomendo que comprem. Atualmente, o livro custa 35 reais aqui e 40 reais nas outras lojas.



Onde encontro o autor?

Paulo Azevedo mantém uma página no Facebook destinada ao livro e geralmente responde rápido às mensagens. Você também encontra ele no Twitter.

Agradecimentos:


À quase eterna paciência do Paulo Azevedo com minha falta de tempo e à oportunidade de ler uma obra como esta.

 Parabéns pelo trabalho!

0 comentários:

Postar um comentário

Este é um ambiente que busca a discussão saudável e proveitosa. Independentemente de suas convicções, mantenha a educação.

Algo a dizer? Contate-nos