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11/01/2015




Para que este texto não seja sobre minha vida, sobre pontualidades breves e instantâneas ou, talvez, ditos falsos, mas agradáveis de se ouvir, rogo a necessidade de me fazer mais ou menos que eu mesmo. Destituir-me da pele que me encobre é, também, fazer da ponte, da vista, da metáfora, a conexão de um borrão transcendente por natureza, com uma exatidão inesperada, posto que esta esteja, ao menos, no fim da ponte. A ponte, que também é metáfora, faz-se um silêncio bruto, o texto, a impessoalidade que chega até ela.

Eis que há, defronte ao borrão, uma ponte de exatidão inexorável, de fisicidade distinguível de todo o mais. Como todas as pontes, é o caminho seguro de uma poesia física, mas que constitui a alma. Toda ponte, das que levam para o lado do outro, é uma ponte real. Mas qual era a ponte que se exibia charmosa? Qual era esta que me fazia cruzar algo que eu mal notara (um rio?) para um outro lado já, agora, cada vez mais preciso, embora ainda sem nome?

Era a ponte que levava para o outro lado a nossa escassez pessoal, fruto da secura que já não entendia mais, que também constituía na carne, madeira, folhas e luz, a poesia que não me era mais nada, até ali, claro.

O ferrugem rugia como poeta fervoroso, corroía os últimos traços da ponte indicando, arriscadamente, que aquela poderia não ser eterna. Sua necessidade, deveras, faria dela lendária. Resistiria como ponte e fazer-se ia muitas na memória dos seus visitantes. Cada ponte filha da sua fisicidade, meramente resguardada dentro de todos que a conheceram e apertaram sua mão, faziam dela a repetição contínua e eterna que guiava a poesia para fora, sem removê-la de dentro. Feitos impossíveis, exceto para a poesia.

O que me garante a ainda existente satisfação, assim como de todos que seguiram, companheiros, pela mesma ponte, é a certeza primária da eternidade de quem faz o que é único.


113 anos de Drummond, são 113 anos da poesia que se faz, pelo físico, a representação mais fiel do sentimento mais completo.


113 anos de Drummond

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